'Detetives' do carbono rastreiam gases do efeito estufa nos EUA
sábado, 6 de dezembro de 2008
Enquanto se espremia em um elevador do tamanho de uma cabine telefônica para subir uma torre de 300 metros nas planícies do leste do Colorado, Arlyn Andrews disse, com um sorriso: “Isso me faz querer escalar rochas”.
É bom que ela goste de escalar altas estruturas. Andrews, uma cientista da atmosfera da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, em Inglês) em Boulder, Colorado (EUA), escala a torre periodicamente para assegurar que os finos tubos que ligam a torre a analisadores próximos estejam coletando corretamente amostras de dióxido de carbono, metano e um coquetel de outros gases do efeito estufa.
O elevador rangeu e parou cerca de cinco minutos mais tarde em um posto a 250 metros, onde a delgada sombra da torre avançava sobre um campo de girassóis vizinho nos primeiros raios da manhã. “Somos capazes de detectar toda a mistura de emissões aqui – o que vem do tráfego de automóveis, da indústria, do desenvolvimento residencial e da agricultura”, disse Andrews.
Ela é uma entre muitos 'detetives' do carbono: cientistas que acompanham e analisam de onde vêm os gases do efeito estufa e para onde eles vão com o tempo. Compare isso com suas finanças pessoais. Para planejar um futuro financeiro sadio, é preciso criar um orçamento e acompanhar como o dinheiro está sendo gasto. Da mesma forma, cientistas da atmosfera precisam desenvolver um “orçamento” para gases do efeito estufa.
No entanto, a atmosfera não entrega relatórios mensais sobre a dinâmica dos gases do efeito estufa, então os cientistas precisam retirar a informação de fontes diversas e muitas vezes contraditórias. A tarefa-chave é mensurar as fontes, ou emissões, desses gases que aquecem o planeta, e os “estoques” – florestas, plantações e oceanos que absorvem o elemento. Esse orçamento pode então respaldar uma política inteligente de controle climático, seja gerenciando uma floresta ou desenvolvendo regulamentos nacionais para as emissões.
Meia década de estudo
A jornada para acompanhar o carbono teve início há 50 anos, quando um cientista da atmosfera, David Keeling, através de um analisador, criou o primeiro observatório de medição de dióxido de carbono do mundo, em Mauna Loa, Havaí. Agora, graças a uma crescente combinação de técnicas de medição atmosférica e terrestre, cientistas podem quantificar mais precisamente as fontes e estoques de CO2. Eles também compreendem melhor como os gases que retêm o calor variam de acordo com tempo e espaço, não só globalmente, mas também em escala continental e regional.
Ao aplicar os diversos métodos e compará-los entre si e com modelos de computador, os cientistas também estão distinguindo com mais exatidão certos gases do efeito estufa de causa humana daqueles que derivam de flutuações naturais em ecossistemas terrestres e oceânicos.
As apostas são muito mais altas hoje do que há 50 anos. Globalmente, os estoques de carbono estão sendo ultrapassados pelo aumento de emissões. Instrumentos atmosféricos como a rede de oito torres financiada pela NOAA oferecem aos cientistas do clima uma janela para os processos que controlam as emissões e estoques de gases estufa.
No entanto, a incerteza permanece alta – às vezes tão alta quanto as próprias estimativas. Por exemplo, pesquisadores acreditam que cerca de metade do CO2 emitido na atmosfera é absorvido pelos oceanos e pela terra, mas eles não sabem precisamente de onde vêm os gases e onde eles vão parar. Essa lacuna de conhecimento tem sérias implicações nas políticas públicas; até que fique claro para onde estão indo as emissões, continuará sendo difícil ter créditos verificáveis para seqüestro de carbono.
“Precisamos ter certeza de que os mercados de carbono estejam afetando a mudança do clima, e não apenas colocando dinheiro nas mãos de algumas empresas e pessoas,” disse Lisa Dilling, professora-assistente de ciência ambiental da Universidade do Colorado, Boulder.
Contas que não batem
Um incômodo desafio é que as avaliações de inventário da superfície – baseadas em medições de florestas, campos de agricultura e emissões de chaminés, por exemplo – geralmente não batem com medições atmosféricas.
“Precisamos fechar o orçamento do carbono para saber precisamente o que está indo para onde”, disse Kevin Gurney, professor-assistente de ciências terrestres e atmosféricas da Universidade Purdue, em Indiana.
Com esse objetivo, no último mês de abril, Gurney iniciou o Projeto Vulcan. Com o nome do deus do fogo romano, Vulcan é um banco de dados massivo e um mapagráfico que mostra mudanças de hora em hora em emissões de CO2 derivado da queima de combustíveis fósseis em todos os locais e de todas as fontes, incluindo veículos, usinas e fábricas.
Outra ferramenta que mapeia o orçamento de carbono para cientistas da atmosfera é chamada de CarbonTracker, um sistema de análise de dados iniciado no ano passado por Pieter Tans, um experiente cientista do Laboratório de Pesquisa de Sistemas da Terra e seus colegas da NOAA. O sistema online mostra como o CO2 flui pelos continentes e como isso varia a cada ano.
Tans começou a rede de altas torres em 1992. Ele espera expandi-la das oito estruturas atuais para 30. Os instrumentos mais avançados foram introduzidos no ano passado na Califórnia – um em São Francisco e o outro em San Joaquin Valley, perto de Sacramento.
Neste verão, um estudo continuado em uma torre de medição localizada em campos de milho e soja em West Branch, estado de Iowa, revelou que as plantações sugavam uma quantidade surpreendentemente alta de CO2 da atmosfera durante a estação de cultivo no verão – chegando a 55 partes por milhão, de um nível equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.
Todo agricultor sabe que o milho cresce rápido e absorve grandes quantidades de carbono no processo, e mais tarde respira CO2 quando é colhido ou deixado para se decompor. Mas esta foi a primeira vez que os cientistas detectaram uma redução tão grande no inventário de CO2 sobre uma região específica durante a estação de cultivo. O estudo também mostrou uma grande queda na concentração de CO2 desde o verão anterior, provavelmente porque enchentes atrasaram a estação de cultivo deste ano, disse Andrews.
A rede de torres de medição melhorou drasticamente as amostras de ar coletadas por pequenos aviões. E as torres cobrem uma área mais ampla do que instrumentos menores e baseados em terra, como as supostas torres de fluxo, que medem quantas toneladas de CO2 fluem para dentro e para fora de um lote específico de terra, de aproximadamente um quilômetro quadrado.
Do alto
Em janeiro, uma nova fase para os instrumentos atmosféricos de medição de CO2 terá início quando a Nasa lançar o primeiro satélite de rastreamento de carbono, chamado de Observatório de Carbono em Órbita.
Diariamente, o aparelho orbitará a Terra 15 vezes, tomando quase 500 mil medições da “impressão digital” que o CO2 deixa no ar entre o satélite e a superfície terrestre. Os dados serão usados para a criação de um mapa de concentrações de CO2 que ajudará cientistas a determinar precisamente onde estão as fontes e os estoques – mostrando diferenças em gases de menor representatividade com precisão de até uma parte por milhão contra um fundo equivalente de CO2 de 380 partes por milhão.
No final do processo, muitos cientistas esperam que suas descobertas respaldem políticas públicas em relação ao clima, como limites obrigatórios sobre emissões impostos pelo congresso.
“É uma prioridade nacional compreender o orçamento de carbono, de forma que as pessoas possam fazer políticas inteligentes e eficazes”, disse Gurney de Purdue, acrescentando que muitos cientistas se sentem pressionados em expandir as fronteiras do conhecimento deste campo em seus esforços para diminuir o aquecimento global. “É isso o que nos motiva a acordar para trabalhar de manhã.”
Aquecimento global ‘expulsará’ 483 mil do Nordeste até 2050
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
A notícia não é boa para a região Nordeste do país nesses tempos de mudança climática. Segundo um novo estudo, até meio milhão de pessoas deixarão os estados nordestinos daqui até 2050. A migração deverá ser conseqüência de agricultura e pecuária cada vez menos viáveis, com o aumento das temperaturas. O que deverá afetar a economia e a saúde, primeiramente, da própria população local. E, em seguida, de todo o país.
Os pesquisadores analisaram o impacto do aquecimento global no Nordeste tomando por base os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês). Os relatórios desse órgão da ONU costumam apresentar diversas projeções, com base em diferentes níveis de reação dos países ao aquecimento global. Da mesma maneira trabalhou o estudo brasileiro, que trabalhou com dois cenários. No mais pessimista deles, cerca de 483 mil pessoas deixariam o Nordeste rumo a outras regiões do país até 2050. De acordo com essa projeção do pior cenário, a temperatura média para a região do Nordeste deverá subir quatro graus Celsius até 2070.
O estudo “Migrações e Saúde, Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050”, financiado pelo Global Opportunities Fund (GOF), por meio da Embaixada Britânica no Brasil, mapeou essas conseqüências sociais e econômicas das mudanças climáticas sobre a região.
Foram quase dois anos para analisar as questões econômica, de migração e saúde pública. A conclusão é que as áreas mais dependentes da agricultura e da agropecuária serão as mais afetadas. Conseqüentemente, as populações atingidas serão os grupos social e economicamente vulneráveis. Como, por exemplo, pequenos produtores agrícolas que não dispõem de bens de produção ou mecanismos de adaptação.
Industrialização
Quanto mais industrializado o estado, menos seus habitantes sofrerão com a mudança climática -- como é o caso da Bahia. Por outro lado os estados mais dependentes da agricultura, como o Maranhão, o Piauí e Alagoas, serão mais afetados.
“A desigualdade social poderá até piorar”, diz Edson Domingues, um dos pesquisadores e professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Nós não tínhamos idéia de como a mudança climática afetaria o local, pois não temos exemplos passados”, diz
Nesse momento, uma série de problemas serão recorrentes. “Haverá um impacto econômico muito forte no setor da agricultura, que levará a redução de renda, emprego e do PIB do local”, diz Alisson Barbieri, um dos coordenadores do projeto e professor de demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso levará a uma queda acentuada do consumo das famílias, em comparação com as demais regiões do Brasil.
No primeiro instante, as pessoas sairão das zonas rurais em direção às capitais nordestinas. Depois, seguirão rumo à Amazônia -- quem vive perto dela -- e ao Sudeste e Sul. Ao chegar sem qualificação nas cidades, é possível que tenham dificuldade em conseguir empregos.
Em seguida, o Sistema Único de Saúde será sobrecarregado. Somado às condições sociais e financeiras, em 2050 um terço da população brasileira terá mais de 60 anos. O que demanda mais cuidados com a saúde.
O passado e o futuro
Será que existe uma semelhança entre migrações do Nordeste que aconteceram para a região Sudeste no passado? “Pode haver semelhanças, mas o movimento histórico ocorreu devido à estagnação do Nordeste e o crescimento acelerado do Sudeste; agora o problema está relacionado à mudança climática”, conta Domingues.
Apesar de o estudo ter focado na região Nordeste, o impacto será sentido em todo o país. “Por exemplo, será inviável plantar café no sul de Minas Gerais. Mas o Rio Grande do Sul poderá se beneficiar dessa nova colheita”, explica Domingues. Além disso, o Sudeste e o Sul possuem suas economias também estabelecidas na indústria, o que diminui o problema direto decorrente das alterações climáticas.
O problema relatado pelos estudiosos parece uma “bola de neve” que devastará o Brasil inteiro. Mas existem soluções. “Para mudar essa futura situação, é necessário investir agora em algumas adaptações”, conta Barbieri. “Isso implica novas tecnologias, cultivos mais resistentes ao calor e captação de recursos hídricos para o Nordeste”, diz. Inclusive, em preparar as áreas urbanas para absorver e minimizar problemas com a saúde.
“Com esse estudo esperamos que sejam criadas políticas públicas para atenuar o problema”, afirma Domingues. Afinal, a outra solução demanda esforço global e não apenas brasileiro: diminuir a emissão mundial dos gases de efeito estufa.
Para realizar o estudo, pesquisadores construíram um modelo demográfico que engloba fecundidade, mortalidade e migração da população em todo o Brasil. Incorporaram os efeitos das variáveis econômicas dentro dos cenários de mudanças climáticas. Por fim, quantificaram a vulnerabilidade nordestina na área da saúde e o impacto no Sistema Único de Saúde (SUS).
Desigualdades internas
O impacto econômico das mudanças climáticas no Nordeste será de 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2050. Essa perda equivale a, aproximadamente, dois anos de crescimento da economia da região. As áreas com mais problemas para a plantação estarão nos estados do Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco. Os que mais sofrerão devido à diminuição no PIB serão Pernambuco, Paraíba, Piauí e Ceará. O menos atingido será Sergipe, pois possui terras mais férteis. Apenas 93 municípios nordestinos apresentarão consumo familiar maior do que a média nacional.
Existem dois processos distintos de fluxos migratórios previstos para ocorrer até 2050. Entre 2025 e 2030, os nordestinos deverão recorrer às próprias capitais. Isso porque o cenário prevê um impacto das mudanças climáticas relativamente maior nas regiões Sul e Sudeste nesse intervalo de tempo. A partir de 2035, quase meio milhão de habitantes deixarão a região, principalmente, rumo às capitais metropolitanas nordestinas. O processo de migração deve ser maior a partir das regiões metropolitanas do Recife, de João Pessoa e de Teresina. As cidades de Salvador e São Luís provavelmente perderão população para a Amazônia.
Os municípios com perdas populacionais significativas causadas pela migração até 2030 estão localizados no estados da Bahia, do Maranhão e de Pernambuco. Ganhos populacionais deverão ocorrer no Nordeste central -- Piauí, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte -- e no noroeste da Bahia. A partir de 2035, a predominância será a da emigração municipal em todo o Nordeste. Haverá um processo de perda de população em quase todo o Semi-Árido e Nordeste Setentrional. As exceções se localizarão no Sergipe, no norte e no sul do Ceará, no norte e sudeste do Rio Grande do Norte e em municípios do centro e do norte do Maranhão.
Apesar do pequeno crescimento populacional previsto para o nordeste e a baixa expectativa de vida -- devido às altas taxas de mortalidade infantil --, a pouca cobertura de saneamento básico registrada no Nordeste indica o potencial problema de saúde que pode ser agravado pelos impactos das mudanças climáticas. As estimativas levam em conta o grau de vulnerabilidade para doença de Chagas, dengue, leishmaniose tegumentar e visceral, leptospirose e esquistossomose, além de dois indicadores da qualidade da saúde infantil -- mortalidade por diarréia e desnutrição. Ceará e Pernambuco serão os estados com maior vulnerabilidade.
Ativistas são atacados por trabalhadores de mina de carvão na Polônia
O carvão é o grande vilão climático do mundo e sua queima contínua em países como a Polônia traz problemas sem fim ao planeta - as mudanças climáticas estão aí para não nos deixar mentir. Mas os trabalhadores poloneses da mina de carvão Józwin IIB ainda não acordaram para essa realidade e, pior, agridem quem tenta mudar o estado das coisas para melhor. Ativistas do Greenpeace foram atacados nesta segunda-feira (24/11) quando tentavam protestar na mina ao lado de uma gigantesca escavadeira. Um jornalista que acompanhava os ativistas foi espancado
Vale ressaltar que moradores da região também estão preocupados com a mineração de carvão no local e com os planos de expansão da atividade, que coloca em risco suas casas, estilo de vida e saúde.
A saúde do planeta também está em xeque, graças em boa parte por conta da queima de combustíveis fósseis como o carvão. Precisamos baixar o quanto antes as emissões de CO2 na atmosfera, abraçando em troca a geração de energia por meio de fontes limpas e renováveis.
A Polônia é totalmente dependente do carvão, combustível fóssil responsável por 90% da energia do país, e a sua queima faz do país um dos 20 maiores poluidores do clima do mundo. Não à toa a próxima reunião da ONU para discutir as mudanças climáticas acontecerá a partir de 1o. de dezembro na cidade de Poznan, na Polônia. O país poderia ter um papel de liderança nas negociações, se comprometendo decisivamente em reduzir suas emissões e limpando sua matriz energética como prevê o relatório [R]evolução Energética do Greenpeace - segundo o estudo, a Polônia poderia gerar 80% de sua energia por meio de fontes renováveis em 2050, caso dê início à mudança no modo como obtém essa energia.
"Nossa ação não foi contra os trabalhadores mas contra o governo polonês. Exigimos que a política energética da Polônia estabeleça um plano claro para acabar com a exploração de carvão e implemente projetos com energias renováveis e eficiência energética", afirmou Magdalena Zowsik, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Polônia.
A União Européia está às vésperas de acertar um acordo como resposta às mudanças climáticas, com uma série de leis conhecida como "pacote climático". A posição da Europa terá um papel crucial no debate global para fortalecer o Protocolo de Kyoto, culminando em Copenhagen no final do ano que vem.
"A Polônia e o mundo precisam de uma revolução energética, não mais do mesmo", disse Zowsik. "A ciência é inequívoca, se continuarmos queimando carvão, vamos provocar danos irreparáveis ao planeta."
Como e Quanto a Terra Respira
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
O Breathing Earth é um simulador que mostra em tempo real as emissões de CO2 de todos os países do mundo, assim como as taxas de nascimento e morte de suas populações. Os números são impressionantes e a velocidade com que vão aumentando também chocam. O objetivo principal é conscientizar a alarmante situação do planeta terra, especialmente quanto ao aquecimento global, promovido pelo excesso de CO2 na camada atmosférica.
Londres prepara superplano para se adaptar ao aquecimento global
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Enquanto na maior parte do mundo a discussão está centrada em evitar o aquecimento global, a cidade de Londres já está pensando no inevitável: como aprender a conviver com ele. Para isso, a prefeitura da capital do Reino Unido está iniciando um programa inovador de adaptação à mudança climática -- o primeiro do tipo no mundo.
projeto está sendo desenvolvido e deve passar por duas fases de consulta -- uma na assembléia da cidade, outra de ordem pública, em que qualquer cidadão pode criticar. Só depois disso ele passará a ser implementado.
O objetivo é preparar Londres para as mudanças que efetivamente virão, ainda que todos os esforços sejam feitos para conter o aquecimento global.
"Eu sempre digo que a mudança climática é para a vida toda, não só para o Natal", brinca Alex Nickson, gerente de estratégia de águas e adaptação à mudança climática de Londres. "As mudanças que já estamos vendo agora são fruto dos últimos 50 anos de atividade industrial, e o carbono que jogamos na atmosfera fica lá por cem anos. Mesmo que parássemos de emitir agora, ainda teríamos de lidar com as transformações que estão acontecendo."
O trabalho envolve, num primeiro momento, estudos para analisar o quanto o aquecimento global vai transformar Londres. E não é pouca coisa. Em 2050, o verão mais quente registrado até hoje na história no Reino Unido, em 2003, estará na média dos verões. Mais adiante no tempo, terá sido comparativamente um dos mais frios. Ou seja, Londres será uma cidade bem mais quente no futuro.
Algumas projeções mostram que a capital britânica terá, em 2071, clima similar ao de uma cidade ao norte de Portugal -- coisa impensável para os londrinos hoje em dia.
Também se tornarão mais comuns hoje eventos tidos como "condições meteorológicas extremas". "A definição do que é tempo extremo vai mudar", diz Alex Nickson.
Onde o calo aperta
Pelos estudos de impacto feitos até agora, algumas preocupações se sobressaem. A maior delas, em princípio, seria o risco de alagamentos. Embora Londres não esteja colada à costa britânica, existe um grande rio que corta a cidade, o Tâmisa, além de vários outros afluentes. E, ao que parece, o fluxo de água no Tâmisa terá picos 40% maiores do que hoje, quando o ano for 2080.
Isso exigirá medidas para proteger a cidade de alagamentos. Já existe uma barreira que controla o fluxo do rio antes da passagem pela cidade e impede inundações. Mas, com o passar dos anos, ela pode não ser suficiente. Cogita-se aumentar a barragem atual, ou até mesmo construir uma outra.
Outra grande preocupação é com possíveis secas. Pois é, se água demais preocupa, água de menos também. Isso porque o sistema atual de distribuição de água londrino é extremamente ineficiente -- de um terço a um quarto da água tratada para consumo é perdida por vazamentos nos encanamentos da cidade, que são muito velhos.
Além disso, os domicílios e estabelecimentos comerciais, em sua maioria, não possuem medidores individuais de consumo de água -- o que dificulta o encorajamento à economia por parte dos cidadãos.
Por conta disso tudo, hoje em dia o sudeste da Inglaterra já é considerado sob "estresse hídrico". Com o aquecimento global, isso vai piorar. Para se adaptar à nova realidade, será preciso reformar os encanamentos e colocar medidores em até 90% das unidades de habitação e comércio.
Um terceiro grande tema levantado pela estratégia de adaptação diz respeito às ondas de calor. Elas devem se tornar mais freqüentes e, se nada for feito, podem matar idosos com mais intensidade do que tem acontecido em anos recentes.
Para solucionar a questão, será necessário implementar uma série de modificações na forma como são construídos os prédios na cidade. Será preciso minimizar a necessidade de sistemas artificiais de refrigeração -- ou, em caso de absoluta necessidade, usar métodos que não emitam grandes quantidades de carbono na atmosfera -- e adaptar prédios antigos para otimizar o controle de temperatura em seus interiores.
Também existe a idéia de criar mais parques na região central da cidade, para resfriá-la -- asfalto absorve muito calor, tornando as áreas mais urbanizadas bem mais quentes que as áreas verdes. E será preciso elaborar um plano consistente para proteger as pessoas em caso de ondas de calor extremas.
Quanto vai custar?
A prefeitura londrina hesita em dar um valor para o esforço de adaptação ao aquecimento global. Como o projeto ainda está em fase de elaboração, e algumas de suas ações se sobrepõem a outras atividades do governo local, Nickson diz que não é possível colocar uma etiqueta de preço. Mas até o fim do ano devem surgir as primeiras estimativas.
De toda maneira, o projeto é inovador e está chamando a atenção da comunidade internacional. Cidades como Tóquio, Nova York e Amsterdã estão consultando o governo londrino para, possivelmente, desenvolver atividades semelhantes.
É a prova mais que cabal de que, por mais que todos tentem (ou digam tentar) conter o aquecimento global, pelo menos até um certo nível, ele já está aí e é para ficar.
Fonte : O jornalista Salvador Nogueira do G1 viajou a convite da Embaixada Britânica.
Efeito Estufa
terça-feira, 4 de novembro de 2008
O que é o Efeito Estufa?
O Efeito estufa é o aumento da temperatura no globo terrestre. Pesquisas recentes indicaram que o século XX foi o mais quente dos últimos 500 anos. Pesquisadores do clima afirmam que, num futuro próximo, o aumento da temperatura provocado pelo efeito estufa poderá ocasionar o derretimento das calotas polares e o aumento do nível dos mares. Como conseqüência, muitas cidades litorâneas poderão desaparecer do mapa. Isso é bem assustador não?
Como ele é gerado?
O efeito estufa é gerado pela derrubada de florestas e pela queimada das mesmas, pois são elas que regulam a temperatura, os ventos e o nível de chuvas em diversas regiões. Como as florestas estão diminuindo no mundo, a temperatura terrestre tem aumentado na mesma proporção. O lançamento de gases poluentes da atmosfera também tem ajudado muito...
Muitos pesquisadores já estão prevendo os problemas catastróficos que irão acontecer, caso o efeito estufa continue. Animais e plantas poderão ser extintos, as calotas polares irão derreter causando assim a morte dos ursos polares, furacões e maremotos poderão acontecer com o tamanho da intensidade e pra piorar, a produção de alimentos em vários países pode cair, sendo assim, acabando com o alimento do planeta.
Muitas ONGs estão correndo contra o tempo pra reverter a situação, criaram o Protocolo de Kyoto, que pretende diminuir os gases poluentes, mas alguns países não estão gostando muito disso. ( O que é burrice, porque eles estão preocupados com os ganhos de hoje, e nem ao menos pensam que amanhã pode não existir mais isso. )
Em dezembro de 2007, outro evento importante aconteceu na cidade de Bali. Representantes de centenas de países começaram a definir medidas para a redução da emissão de gases poluentes. São medidas que deverão ser tomadas pelos países após 2012.
Não temos como ajudar a evitar a poluição, pois tudo é efeito natural, mas podemos sim, ajudar as empresas e ONGs que com isso se preocupam. Tudo por um mundo melhor.